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"Vergílio Ferreira: Para sempre", Romance-síntese e última fronteira de um Território ficcional

Nome: José Rodrigues de Paiva
Orientador: Prof. Doutor Lourival Holanda
Mês da defesa: Maio de 2006
Resumo: Análise do conjunto da obra romanesca de Vergílio Ferreira, abrangendo, de Mudança (1949) a Cartas a Sandra (1996), quinze romances publicados pelo escritor. A ênfase do estudo recai sobre Para sempre – ao qual é dedicada a segunda parte do trabalho – de que se demonstra o caráter de síntese ou de súmula romanesca, para a qual convergem todos os grandes temas, motivos, símbolos e elementos fundamentais na construção do universo imaginário e simbólico erguido pelo romancista sobre os alicerces da linguagem artística. Coroamento de tudo quanto veio a ser construído nos romances anteriores, formadores de ciclos pelas interligações temáticas, sentido de
pesquisa ou de problematização filosófica e estética, Para sempre é visto como a última “fronteira” de um vasto território literário onde se interligam o romance, o ensaio e o memorialismo representado pelo diário do escritor. O estudo esteve atento a todas essas diferentes faces da obra vergiliana que dialogam intensamente entre si. Destacou-se, também, o diálogo que, a partir do romance, se estabelece entre a literatura e as outras artes – particularmente a pintura, a música, o cinema e a fotografia –, constantemente tematizadas na obra de Vergílio. Nele, o romance vem a ser, também, o “lugar” onde é possível realizar a síntese do seu pensamento sobre a Arte em todas as suas formas de expressão, o que aponta para um diálogo intersemiótico. O caminho analíticointerpretativo percorrido ao longo da leitura da obra romanesca, observada a seqüência da sua criação, é o da busca de sentido, numa perspectiva hermenêutica que não despreza os elementos subsidiários que possam trazer luz ao conhecimento e compreensão do núcleo do universo em estudo. Por isso foram relevantes, aos objetivos e conclusões desta análise, as leituras feitas dos ensaios e do diário do romancista, a partir dos quais – particularmente da leitura do diário – se descortina uma perspectiva de crítica genética. O estudo comprova a hipótese inicial, a de ser Para sempre a “última fronteira do território ficcional vergiliano”, não obstante as obras posteriores a este romance. Sem o sentido de rigorosa continuidade temática, elas não constituem exatamente um novo ciclo, e, com a última delas, Cartas a Sandra, o romancista regressa à “fronteira”, que é Para sempre, para fechar o círculo da obra e da vida.

Palavras-chave: Romance português do século XX; obra vergiliana; Para sempre; diálogo intersemiótico.
 
Arquivo: tese-jose-rodrigues.pdf
 
   
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